Crónica de João Pimenta nos 17 km do trail da Freita

Relato de um Bem-aventurado trail.

A curiosidade natural de caminheiro levou-me a participar numa corrida mais arrojada um trail de 17km na Freita.Peguei no meu equipamento, calções de licra, t-shirt, sapatilhas velhas da Salomon, meias para este fim ,chapéu florescente, óculos de sol, bastão camel-bag de 1.1/2 lt de água ,5 barras energéticas 2 bananas, 200g de frutos secos. E material como máquina fotográfica,telemóvel,canivete suíço e apito.

Não sendo eu de correrias decidi faze-la  em marcha rápida. A má noticia  era que tinha que fazer boa figura na partida e fazer 300 metros a correr.

Estavamos junto ao parque ás 10h para o tiro de partida. Mentalizei-me em fazer um walk and run controlado que não durou muito. Decidi então caminhar a um ritmo considerável  10min/km em todo o planalto. Paisagens magnificas quase lunares e ai encontrei os caminheiros e lá estava o amigo José Leote em esforço devido a lesão.

Passei por eles e ainda falei com alguns caminheiros conhecidos e lá fui depressinha até ao 1º abastecimento 6km. Bebi 2  ½ copos de água quente de uns garrafões duvidosos e continuei pois tinha pela frente um caminho longo e solitário. Depois de um sobe e desce prolongado com lindas pastagens e linhas de água. A chegada a Castanheira foi espectacular .

O percurso passava por dentro de um carreiro de água que deu para refrescar os pés. As casas típicas predominavam com caminhos centenários de pedra polida á sombra de arvores magistrais. Lá estavam outra vez os caminheiros em palestra com os habitantes locais e o Leote tirava umas fotos para mais tarde recordar.

Aqui na Castanheira aos 12km era o 2º abastecimento foi então que apareceu uma miúda com 2 ½ copos de água morna para me oferecer. Continuei então a minha marcha acelerada em direcção ao então falado PR7 (pequena rota de 7km). Lindo, uma descida com mais de 20 % de inclinação cheia de obstáculos naturais pedras, raízes, árvores, ramos que recria uma atenção especial onde por os pés ,o que despertou a criança que há em mim. De salientar uma pequena cascata com uma ponte pedestre que tinha a curiosidade de ter umas correntes para transpor o obstáculo seguinte.

Desci depressa de mais, passei pelo Luís Miguel e pelo companheiro João… com a desculpa da inércia. Ao mesmo tempo ia tirando umas fotos, quando não é o meu espanto (eu até sou pouco sensível a surpresas) na encosta oposta um paredão via uns corpos em subida vertical. O meu chapéu de pala pingava como chovesse o calor no vale apertava.  Estava todo moído no fim da encosta quando cheguei á aldeia da Ribeira quase não podia andar.

Passei a ponte tirei a mochila e fui ao banho, finalmente água fresca que vai ajudar a recompor as pernas .Foi delirante ,10 minutos dentro de água. Fiquei melhor, mas mesmo assim vi-me grego para subir 20 metros até ao abastecimento extra. Água e mais água e mais água morna dos garrafões e uma torneira ali ao lado (que falta de clarividência). Puxei de alguns alimento calóricos e estive parado 20 a 30 minutos.

Até que aparece o Luís Miguel com o companheiro todo torcido que ficou logo ali na carrinha. Ia iniciar a subida da Frecha da Mizerela com a lindíssima cascata ao fundo que nos estimulava a progressão. O Miguel ia á frente tinha mais preparação e habituado a estas coisas e apesar de lesionado no pé foi ganhando terreno. Eu estava a pagar pela descida rápida. Disse ao Luís para continuar que eu ia mais devagar.

Estava a parar de 20m a 20m , o calor era extenuante o sol batia de chapa na encosta. Para subir com inclinação de 26% era com as mãos com os pés e bastão. A palavra de ordem era penar ,penar e penar. De repente passa o 1ºfinisher dos 70km Alcino que pregava a cada passo e desapareceu. Eu parava para fazer a recuperação mas a máquina não dava sinal de abrandar.

Foi então que me lembrei do João Garcia dos passos a grande altitude um a um chegamos lá ,assim foi em progressão muito lenta. É nestas alturas que nos passa muitas coisas pela cabeça, estava encharcado queria comer frutos secos não conseguia engolir tive de deitar fora, a boca estava seca. A  cascata estava mais perto a vista era paradisíaca.

Estava sentado a parece o 2º finisher dos 70 aprox.45m depois do 1º. Este já se arrastava pelo trilho que metia dó. Mais acima noutra paragem técnica aparece pai e filha do Porto a pedir alguma coisa para comer, que a filha estava aflita.Dei-lhes uma barra e o pai agradecido cria prometer um almoço numa próxima oportunidade. Nem pensar, haja saúde para usufruirmos destas aventuras.

Completamente esgotado lá cheguei ao topo e ainda por cima o pai da miúda fez um forcing para chagar á minha frente uns metros ,eu nem estava nessa. Cheguei á meta entre o pai e a filha espero com isto não ter contribuído para a discórdia familiar. Da organização ficara-me as palavras no ouvido “já estávamos preocupados com vocês” pois deviam-se preocupar era com os que vinham a trás os dos 70km pensei eu.

Fiquei satisfeito e deu para encher as medidas. Foram 18.1km(gps) em 4.42h os últimos 6km demorei 2.45h. Para mim foi obra, para quem não gosta de correr. Possivelmente ganhei o meu escalão mais de 100kg.. Organização: muita água  não sei  da onde em garrafões ao sol . Os homens não choram mas gostam de mimos.

Dedico ao casal Brito pelo esforço e dedicação á modalidade.

Clacaminheiros 30-06-2010

Jpimenta

Artigo escrito por:

Jose Leote escreveu 471 artigos para CLAC.


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